Torneio de eSports força meninas a provarem que são meninas para competirem

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Torneio de eSports força meninas a provarem que são meninas para competirem
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[Atualizado em 9/9/2019, às 19h] A BBL, por meio de sua assessoria de imprensa, respondeu aos questionamentos do Canaltech sobre o caso, e emitiu um comunicado de repúdio ao tratamento diferenciado sofrido por times femininos no cenário de eSports. A empresa ressaltou, porém, que o uso do software Plays.tv foi uma solicitação “das próprias jogadoras”. A empresa não comentou sobre o mesmo processo não ser seguido em competições masculinas, mas se desculpou pela forma como se expressou a administradora responsável pelo torneio e informa que as desculpas foram repassadas diretamente à equipe Athena’s eSports. O comunicado segue ao final do texto, na íntegra.

Mais um caso de “tratamento diferenciado” no universo dos esportes eletrônicos: segundo relatos de pelo menos duas equipes femininas inscritas na competição GirlGamer eSports Festival, organizada pela Bad Boy Leeroy (BBL — a mesma que promove o Circuito Desafiante de League of Legends), as meninas participantes devem, obrigatoriamente, fazer uso do software Plays.tv para identificação e comprovação de gênero feminino.

A informação veio do time Athena’s eSports, que compartilhou o caso por meio de sua página oficial no Facebook. A postagem recebeu comentários de uma participante de outra equipe — Minerva eSports —, confirmando que o procedimento também é obrigatório para elas.

Questionada pela equipe sobre o procedimento, a BBL limitou-se a responder: “Sobre o uso do plays.tv, é exatamente para ter certeza de que são mulheres e não homens jogando”.

A postagem havia sido feita por uma administradora da empresa dentro da plataforma Discord e rapidamente editada, porém os originais (e os editados) foram “printados” pelas equipes em questão, que ressaltaram que não houve exposição pública da administradora em si, porém o post foi denunciado à organização.

O post original na página da equipe tem a data de 4 de setembro (quarta-feira da semana passada), mas tomou o noticiário apenas hoje (9) após as informações serem repercutidas pelo blog Garotas Geeks. O veículo ainda cita o regulamento da própria BBL, onde a promotora de torneios fala explicitamente que “se reserva no direito de alterar qualquer regra sem aviso prévio visando o bem maior da competição. Também pelo regulamento da empresa, ela também “se reserva no direito de julgar qualquer caso que não esteja coberto por esse livro de regras de forma a preservar uma competição justa”.

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A BBL emitiu um comunicado, expondo o seu lado dasituação e tentando esclarecer todo o caso. Ele pode ser ligo no parágrafo seguinte, na íntegra:

“A BBL, por meio desse posicionamento, demonstra seu repúdio com atitudes contra a igualdade de gêneros no e-sports. A BBL não trata de forma diferenciada jogadoras e jogadores. Durante o campeonato GirlGamer de League of Legends houve muitas solicitações das próprias jogadoras pelo uso do programa PlaysTV, que já grava a tela da jogadora e o microfone, como forma de verificação das equipes. Algumas jogadoras, inclusive, reclamaram dos jogos classificatórios sem o PlaysTV ou outro método de verificação in game. O uso de programas para verificação dos times é uma prática utilizada em diversos torneios ao redor do mundo. O uso do PlaysTV durante as próximas partidas do torneio GirlGamer não é uma medida de ataque a minorias, e sim uma forma de deixar as jogadoras mais seguras. Os torneios femininos são uma forma que a BBL encontrou de criar um ambiente seguro para o desenvolvimento de mulheres no e-sports. Por isso, é sempre importante buscar alternativas que deixem as jogadoras mais seguras de participarem das competições. Não se pode ignorar também a possibilidade de fraudes dentro da competição e essa é mais uma forma encontrada de legitimar todas as participantes do campeonato. A BBL se desculpa publicamente pelo infeliz comentário da administradora do torneio, que não condiz com as crenças e os objetivos da holding. A BBL já se desculpou diretamente com a responsável da equipe Athena’s por essa situação.”

Fonte: Canaltech