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quinta-feira, 5 agosto 2021
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Qual a relação entre a natureza do corpo, cérebro e a cultura?

De acordo com William Dunningham, médico e psiquiatra pela Universidade Federal da Bahia, os primeiros crânios da espécie Homo Erectus possuem pouco mais de 700 ml e, há 500 mil anos atrás, houve um novo aumento, tendo o   H. sapiens sapiens o valor de 1200 ml ou mais. Segundo McHenry (1994), a mudança ocorreu quatro vezes nos últimos 3,5 milhões de anos e apresenta uma tendência geral de aumento. Os cérebros dos Neandertais ainda eram maiores que os do H. sapiens sapiens, mas acredita-se que isso se deva pela maior massa corporal dos mesmos e não exclusivamente pelo desenvolvimento da cultura e sociabilidade. Além disso, houve a realização do estudo com organoides do NOVA1 neandertal que mostra que, apesar de maior quantidade de massa, a transmissão de impulsos era complexa e isso não refletia em capacidade de socialização, os neurônios tinham menor durabilidade. 

 Essas mudanças biológicas ocorreram devido a maiores capacidades de desenvolvimento da linguagem acompanhadas com as mudanças biológicas e químicas. Outro ponto é a aprendizagem que, segundo Skiner (1957), se resume no comportamento que, quando ocorre através do esforço repetitivo e positivo, tende a se perpetuar dentro de uma determinada espécie. Essa seria uma teoria behaviorista que começou a ser abordada entre os séculos XIX e XX. Com as revoluções tecnológicas provocadas nos últimos séculos e o aprendizado de mais de uma língua, a massa cinzenta deve aumentar: a cultura e os aspectos sociais influenciam a forma como o corpo tem a sua evolução.  

Relacionado ao tema, ainda há o interacionismo que, para Morato (2004, p. 316), o indivíduo deve ser influenciado pelas interações, levando isso como seu ponto principal de partida e ação. Dessa forma, poderia ser influenciado por outras ações, movimentos e tentativas de comunicação. O indivíduo passa a se submeter a interações sociais que não devem ser ideologicamente neutras.  

Os conceitos de linguagem são os mais variados. Para Sapir (1929:8), é uma forma de se comunicar através de símbolos intuitivos em que não necessariamente se faz o uso do verbal. Já para Chomsky (1957:13), seria como se houvesse conjuntos finitos e limitados com sentenças utilizadas para a comunicação.  

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Outro ponto de destaque é a alimentação humana com o uso do fogo. De acordo com a neurologista Suzana Herculano-Houzel, doutora em neurociência e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o ato de cozinhar e assar a carne influenciou para a formação de mais massa cinzenta e fornece mais energia porque possui mais calorias. Isso ocorre para outros alimentos além da carne, já que o cozimento possui a capacidade de gelatinizar o colágeno e deixar com que ele seja ainda mais fácil de ser digerido. O obstáculo, segundo Suzana, haveria de ser superado logo que o Homo erectus houvesse descoberto o fogo.  

A obra A Guerra do Fogo foi produzida no ano de 1981 pelo diretor francês Jean-Jacques Annaud, ela mostra como o fogo influenciou a forma de agir dos povos e acelerou o desenvolvimento da cultura. Era com ele que se tornava possível esquentar, cozinhar e realizar rituais religiosos. É então que a reação química, de pura combustão e queima, passa a fazer parte de toda a história não só do passado, mas também do presente. 

A posição bípede, totalmente física e do corpo, haveria influenciado para o uso das mãos dos hominídeos, estas, logo iriam criar objetos rudimentares. Assim como as mudanças do cérebro e da forma de andar, houve alterações do buco-faríngeio que está entre a boca e as faringes. Esse seria um dos processos cruciais para o desenvolvimento da fala abstrata com vogais a, e, i, u. Há ainda o nervo hipoglosso que faz o controle da língua que surgiu há 400 mil anos juntamente com os Neandertais. A reorganização do cérebro que surgiu na espécie homo sapiens sapiens haveria de permitir a fala mais concreta que antes não existia.  

Pode-se concluir, portanto, que o corpo humano juntamente com as descobertas naturais e químicas como o fogo, influenciaram de forma significativa na cultura e linguagem. Foi o início de convivência em grupo que fez com que a linguagem fosse, com o passar de centenas de anos, se desenvolvendo. Para isso, houve mudanças físicas como a forma de andar e até mesmo na faringe e nervos que ligam o cérebro. Não há dúvidas de que a cultura está fortemente ligada ao físico e à evolução humana que se deram por inúmeros motivos.  

 
Daiane Souzahttps://manchetesdodia.com/
Nascida em Santa Catarina, atualmente estuda história pela FURB, atuando com a redação política. Trabalha há mais de três anos como redatora profissional experiente em SEO e Copywriter. Apaixonada por literatura, filosofia e escrita.

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