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sexta-feira, 23 julho 2021
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O sorriso da esfinge: reflexões sobre o ensino do Egito antigo no Brasil

O ensino do Egito e da história antiga está sendo visto como parte de uma história que não pertence ao povo brasileiro. E, dessa forma, é pouco valorizado e estudado. Nas escolas, por exemplo, a história antiga é pouco abordada e se ensina de forma muito rasa. Alunos se formam ouvindo sobre cultura cuneiforme, mas não sabem sequer do que se trata e, neste caso, com o Egito não funciona muito diferente.

Sabem que existiam faraós e pirâmides, mas não possuem uma ideia de como funcionava o contexto na época. Alguns símbolos, com as pirâmides e as múmias, já fazem parte do imaginário popular até mesmo daqueles que nunca tiveram uma aula sobre Egito Antigo.  

Acreditou-se, durante muito tempo, que os brasileiros não possuem vínculos com o oriente. Mas, o que é o oriente? Seria uma ideia elitista?  Será que o Brasil realmente faz parte do ocidente?  A história não acontece de forma separada e os fatos possuem interferências do passado. Tanto o orientalismo quanto o afrocentrismo que foram criados pelos eurocêntricos podem explicar a situação.  

Neste imaginário, temos também muitos mitos. A história do Egito não é baseada apenas nas pirâmides como se acredita e elas não surgiram do nada. Dinastias estiveram presentes antes do surgimento e passavam por rituais diferentes no pós-morte. A história do Egito foi muito além dos rituais, existiram conflitos, existiam mudanças de polos e grupos diferentes dentro da mesma sociedade que viviam das mais variadas formas.  

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De acordo com a autora, um dos motivos pela escassez de material nos livros didáticos se dá justamente pela falta de pesquisados brasileiros sobre o assunto. Ainda há muito material para ser decifrado e poucas pessoas interessadas em se aventurarem.  Em escala mundial, é possível que encontrar a união de alguns historiadores em grupos como é o caso do  Egypt Exploration Society. 

O texto cita a crise do governo britânico em que há o corte nas áreas da ciência e desenvolvimento e, dessa forma, a justificativa pelo uso das verbas se faz mais necessária e há desvalorização no campo do Egito Antigo. Algo parecido acontece no Brasil visto que o presidente Bolsonaro também realizou cortes de investimentos, como é o caso da UFRJ que apresentou riscos de fechar em 2021.

Enquanto isso, a história, principalmente antiga, passa sendo ignorada por muitos porque “não contribui” tanto quanto a ciência exata como a química e física. Seria como se a ciência produzisse bens que podem ser usados e são eficazes para facilitar nosso cotidiano (como vacinas contra Covid-19 e produções tecnológicas) enquanto a história antiga “não contribuísse para nada”. 

A autora argumenta que o Egito é considerado como imóvel justamente devido ao imperialismo britânico que deseja desenvolver, sobre ele, narrativas europeias.  

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Em alguns casos, o estudo tenta fazer com que os alunos criem identificação com o assunto. Um exemplo é quando relacionam a mulher como aquela que cuidava da casa e da família. Mas as mulheres egípcias tinham funções muito além disso. As egípcias parecem presas em uma caixa como se não fossem envolvidas em nada com a política e economia. De acordo com a autora, isso pode ser negativo para a luta feminista que tenta colocar as egípcias como participantes ativas da sociedade da época.

Como solução para a situação, Thaís sugere que as escolas vivam em constante atualização sobre o Egito e que não se limite a ele somente como múmias e pirâmides mas que também falem sobre os povos, mulheres e pessoas que viveram lá. Para isso, as universidades teriam grande papel visto que teriam que criar uma conversa e ligação com o ensino básico. 

 

 
Daiane Souzahttps://manchetesdodia.com/
Nascida em Santa Catarina, atualmente estuda história pela FURB, atuando com a redação política. Trabalha há mais de três anos como redatora profissional experiente em SEO e Copywriter. Apaixonada por literatura, filosofia e escrita.

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