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quarta-feira, 8 dezembro 2021
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Quem foi Karl Heinrich Marx e suas ideologias?

Karl Heinrich Marx, mais conhecido por Marx, foi um dos maiores filósofos do Ocidente. Ficou conhecido por ser um dos maiores socialistas da história, porém, era também economista, jornalista e revolucionário.  

Nascido na Prússia – que é hoje o Estado Alemão –, em 5 de maio de 1818, dedicou sua vida à compreensão da dinâmica do capital. Por ter sido influente em vários campos de saberes, é tido como um dos fundadores da sociologia, juntamente com Max Weber (1864-1920), Émile Durkheim (1858-1917). 

Marx era filho de pais de ascendência judaica, pertencentes à classe média prussiana. Seu pai, Herschel Marx, foi um destacado jurista da época, que tinha por sonho que seu filho também seguisse sua carreira. Foi com esse objetivo que ele ingressou, em 1835, no Direito da Universidade de Bonn.  

Porém, como não é raro aos filhos, Marx se desviou dos sonhos do velho pai, ao se transferir para Universidade de Berlim, a fim de estudar Filosofia. Não se pode dizer que sua experiência em Universidade de Bonn foi estéril, pois foi lá que ele manteve os primeiros contatos com o movimento estudantis, fazendo parte das lutas políticas estudantis da época. 

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Na Universidade de Berlim, manteve contato com os seguidores do filósofo Hegel (1770-1831) conhecidos como ‘hegelianos de esquerda’ – ou Jovens hegelianos –, que muito lhe influenciaram. Dentre esses estudantes estavam futuros destacados expoentes da filosofia e da teologia: Bruno Bauer (1809-1882); Feuerbach (1804-1872) e Johann Kaspar Schmidt (1806-1856), mais conhecido como Max Stirner. 

Esses ‘hegelianos de esquerda’ faziam uma interpretação de Hegel que culminava com a crítica da sociedade burguesa da época e tinha por objetivo sua transformação. Ainda que não tenha durado muito tempo nesse ciclo de estudantes, pode-se afirmar que Marx foi influenciado por eles.  

Porém, apesar de ter sido um hegeliano no início de seus estudos, logo se separou da filosofia hegeliana, rumo à filosofia materialista influenciada por Demócrito (460-370 a.C.)  e Epicuro (341-271 a.C.), dedicando, inclusive, a esses pensadores sua tese de doutorado, cujo título era Diferença entre a filosofia da natureza de Demócrito e a de Epicuro, em 1841, às vésperas da Primavera dos Povos, ocorrida em 1848. 

A atuação política de Marx é impactada pelas revoltas dos camponeses e proletariados, diante das crises econômicas em países europeus. A Primavera dos Povos – que também ficou conhecida como Revolução de 1848 – chamou a atenção do jovem Marx, que já criticava as doutrinas político-econômicas burguesas e de seus resultados para a população. 

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Um de seus textos mais famosos, O Manifesto Comunista – que é, na verdade, um Programa do Partido Comunista –, foi escrito no mesmo ano que eclodiu a Primavera dos Povos, em parceria com seu amigo Engels (1820-1895). Todavia, além desse texto, que se tornou um clássico na literatura socialista, Marx escreveu outros textos que vieram, em sua maioria, a ser publicados postumamente. Dentre eles encontram-se o Trabalho Assalariado e Capital (1849), O 18 Brumário de Luís Bonaparte (1852) Contribuição à Crítica da Economia Política (1859) e O Capital (1867), mais famoso texto de Marx. 

Sua vida não foi, nem de longe, tranquila. Considerado um pária em sua própria terra, sempre viveu como clandestino, fugindo de país em país, em razão de suas críticas publicadas em jornais socialistas. Se não fosse a ajuda financeira de seu amigo Engels, Marx teria sofrido ainda mais.  

Morreu em 1883, com 64 anos de Idade. A agonia que padeceu em vida, bem como sua miséria material, em razão da perseguição sofrida pela defesa das ideias socialistas, teve como fruto um dos maiores legados para o pensamento ocidental. amem-no ou odeiem-no, Karl Marx é um pensador importante tanto para seus estudiosos e simpatizantes do socialismo, quanto para os liberais e economistas que se dedicam a compreender a dinâmica do capitalismo.   

Comunismo X socialismo 

Juntamente com os socialistas Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1837), Louis Blanc (1811-1882) e Robert Owen (1771-1858) Marx entendia que a ordem econômica capitalista tinha contradições intermináveis, que sempre o levaria a violentas crises, que tinha os trabalhadores como os mais afetados social e materialmente. 

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Ele entendia que era preciso modificar a relação dos seres humanos com a mercadoria, fim de que houvesse melhor e maior distribuição de riquezas entre os trabalhadores, que eram, para ele, os que, de fato, a produziam.  

Já que o capitalismo, imerso em suas crases intermináveis, não se comprometia coma distribuição de renda e, ao contrário, criava um abismo entre os ricos, que ficavam mais ricos, e os trabalhadores, que ficavam mais pobres, qual seria a organização social que poderia tornar possível uma vida livre do trabalho miserável e proporcionaria uma vida digna aos trabalhadores? Para Marx, somente o comunismo, como nova organização social, poderia proporcionar uma vida livre e digna. 

Para ele, o comunismo não se tratava apenas de um objetivo de sociedade, ele era, mesmo, um processo histórico que mais cedo ou mais tarde as sociedades mais avançadas alcançariam. Porém, antes de se chegar a esse estágio social, era preciso que houvesse uma etapa anterior, que pavimentasse esse processo histórico. Essa etapa era o socialismo. 

O socialismo, que seria uma etapa histórica, era o primeiro passo para a reorganização social. as sociedades passariam por uma re-evolução, isto é, uma revolução. Para tanto, era preciso que o Estado burguês fosse tomado pelos trabalhadores pelas forças das armas e fosse ocupado pelos trabalhadores. Sua estrutura seria usada para reelaborar as relações de trabalho, expropriar os bens dos capitalistas, redistribuição de terras e abolição tanto da escravatura, quanto da herança.  

No socialismo não existira mais propriedade privada, todos os bens eram coletivos, geridos por um Estado forte, que daria continuidade na marcha histórica rumo ao comunismo. Ainda que socialismo e comunismo não sejam as mesmas etapas históricas, uma não deve ser pensada desassociada da outra, pois o fim do primeiro é a realização do segundo. 

A crítica de Karl Marx ao liberalismo 

Dizer que Marx defendia um socialismo, que tinha por fim o capitalismo e conduzir as sociedades para o comunismo, é correto. Porém, essa constatação não esgota o pensamento de Marx. Dizer que ele defendia o socialismo é afirmar apenas uma meia-verdade. Porquanto, sua verdadeira defesa era a emancipação humana. 

Ainda que pareça estranho para alguns, em certa medida e com ressalvas, o pensamento de Marx se alinha a uma parte do pensamento liberal, no sentido de querer que o ser humano alcance a liberdade. O que o torna diferente é que Marx buscava uma liberdade que alcançasse todos os seres humanos, para além de uma liberdade para comercializar e escravizar as pessoas, como defendia o filósofo John Locke (1632-1704), que, juntamente com Adam Smith (1723-1790), é considerado um dos fundadores do liberalismo econômico-filosófico. 

Uma das maiores críticas de Marx ao liberalismo está no que ele entendia como fraseologia dessa corrente filosófica. Isso significa que, para ele, os liberais clamavam e alardeavam uma liberdade que não efetivava na prática. Popularmente falando, seria como se ‘na prática, a teoria era outra’. Ou seja, de acordo com Marx, os liberais se limitavam a criar teses filosóficas sobre a liberdade humana com o único fim de legitimar a sociedade burguesa contra um estado monarquista. 

A lógica liberal, para Marx, além de não ter efeito prático, não cumpria sua promessa de libertar o ser humano, apesar de ter sido o liberalismo revolucionário em relação às monarquias da época. Isso porque, o ser humano não conseguiria se realizar em condições humilhantes e indignas.  

Karl Marx e o materialismo histórico 

Marx é revolucionário não só em relação às questões sociais. Ele foi o primeiro a compreender a história a partir do materialismo. Isso significa dizer que antes deles, a partir de Hegel, a história era vista como sendo fruto das ideias dos seres humanos. Ou seja, primeiro se idealizavam os mundos, para depois realiza-los. 

Com Marx, a história passou a ser observada a partir dos atos humanos, para só depois se observar suas ideias. Isto é, antes de compreender as produções culturais e filosóficas, primeiramente os eres humanos produziram bens materiais e desenvolveram, materialmente, tecnologias para se aprimorarem historicamente. 

Antes da política e da economia, por exemplo, os seres humanos desenvolveram a linguagem, a agricultura, a vestimenta etc., para só depois passarem a conjecturarem sobre o mundo. A essa virada de compreensão sobre o desenvolvimento da história ele chamou de ‘concepção materialista da história’. 

A ‘concepção materialista da história’ entra em confronto direto com a concepção racional da história, herdada de Hegel. Para essa concepção, a história era guiada pela razão, tendo como único fim o estabelecimento do Estado, que seria o viabilizador das liberdades coletivas e individuais.  

Marx rejeita esse entendimento, porque compreende que por trás de seu fundamento filosófico existe uma intenção política, que não é outra senão confirmar politicamente o Estado enquanto organizador social. Quando se compreende a história a partir das ideias – a razão, no caso –, ignora-se as motivações econômicas que impulsionaram os atos históricos.  

Esse entendimento modificou a maneira com a qual os historiadores passaram a compreender a história. Pois, antes de Marx, a história era concebida ou como uma decorrência das ações motivadas pela razão, ou por fatos objetivos, que não careciam de explicações mais complexas, cujos fundamentos estivessem nas motivações econômicas, por exemplo. A Historiografia passou a considerar a economia como um dos fatores determinantes para os acontecimentos sociais. 

Daiane Souzahttp://visaoconfiavel.com/
Formação em jornalismo pela Uniasselvi e em história pela FURB. Amante, desde o ano de 2017, pela produção de conteúdos, notícias e redação em geral. Atualmente, trabalha como redatora da agência jornalística Visão Confiável (http://visaoconfiavel.com/).

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