Incêndio em favela destrói moradias, frustra festa de Dia das Crianças e famílias perdem tudo

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O incêndio que destruiu cerca de 25 moradias na favela dos Três Porquinhos , na região do bairro Novo Horizonte em Piracicaba (SP), fez com que famílias perdessem todos os pertences, causou a morte de animais domésticos e gerou extrema tristeza em um dia que estava marcado para ser de alegria. As chamas acabaram também com a comemoração do Dia das Crianças que ocorreria neste domingo (12) na rua em frente ao local. Ninguém se feriu.

Os bombeiros foram acionados às 12h25 e trabalharam na área pelo menos até 17h. O controle às chamas, que chegaram a dois metros de altura, ocorreu após uma hora de intenso combate. Em seguida, as equipes atuaram por pelo menos outras três horas no rescaldo para evitar que as chamas recomeçassem.

Ao todo, a corporação estima que utilizou 50 mil litros de água para vencer as chamas. Pouco antes delas começarem, teria início a festa das crianças do bairro, com direito a guloseimas e pula-pula.

O desempregado Jefferson da Silva Salles, de 40 anos, foi um dos que conseguiu salvar móveis. Ele retirou geladeira, fogão, colchão, botijão de gás, algumas roupas e documentos. A moradia dele fica no alto, o que deu mais tempo para que conseguisse remover.

“Eu estava no final da rua porque hoje aqui ia acontecer uma festa do Dia Das Crianças. Estava tudo sendo preparado para acontecer a festa. Foi quando uma moça conhecida nossa, ela olhou e viu fumaça. Gritou ‘gente, está pegando fogo na favela’. Todo mundo correu, apareceu gente de todo lado para ajudar”, explicou Salles.

“Hoje é Dia das Crianças, é um dia das crianças que vai ficar marcado na minha vida, porque nunca passei por essa situação”, lamenta.

Em uma casa de frente para a favela, a moradora abriu o quintal para que as pessoas colocassem os móveis durante o incêndio.

Já Luciana da Silva Santos não teve a chance de retirar nenhum pertence. As chamas começaram perto da moradia dela, o que deu a chance apenas de correr. Ela perdeu tudo e agora depende de ajuda para retomar a vida.

“Não tenho nada. Eu tinha um monte de remédios, se eu precisar de um agora eu não tenho. Sofro de pressão alta. Essa é a primeira vez na minha vida [que passo por isso]. Só Deus sabe”, disse.

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Durante o incêndio, os próprios moradores desmontaram parte dos barracos. Isso impediu que as chamas progredissem e atingissem outros imóveis.

Mãe de três filhos, outra moradora que não quis se identificar conta que estava na casa da mãe quando a irmã mandou mensagem para avisar do fogo. As três crianças, de 8, 5 e dois anos, estavam com ela, mas o que havia no imóvel foi destruído. Ela contou que coube apenas aos moradores fazer a retirada do que conseguiam pegar.

A secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads), Eliete Nunes, o diretor da Defesa Civil de Piracicaba, Odair Mello, e o diretor-presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional (Emdhap), João Manoel Santos, estiveram no local, além do prefeito Barjas Negri (PSDB).

A Smads fez o cadastro de cerca de 20 famílias, que vão receber auxílios básicos. Todas, exceto um casal, se estabeleceu em casas de parentes e amigos. Ao casal, a pasta ofereceu um abrigo.

“Numa articulação da Smads e a Emdhap, as pessoas afetadas pelo incêndio estão sendo levadas até a sede da empresa habitacional onde será feita a doação de roupas”, informou por nota a prefeitura.

A favela está na lista de comunidades que devem ser urbanizadas pela prefeitura. A obrigação foi firmada por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado em 2016 com o Ministério Público Estadual (MP-SP).

O diretor-presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba (Emdhap), João Manuel dos Santos, esteve na comunidade após o incêndio e informou que ainda não há previsão para início das obras.

Fonte: G1